O LIMITE DO HUMOR

Regina Casé manifestou-se esta semana contra a piada que circulou na net sobre a não morte da cantora Joelma (banda Calypso). Porra, tá cada dia mais dificil. Será que as pessoas estão perdendo o senso de humor? Será que a partir de agora toda piada terá que ser levada ao pé da letra? Será que as piadas que não seguirem um padrão politicamente correto deverão vir acompanhadas de folheto explicativo, tipo uma bula? Tão querendo colocar uma burca no humor. Assim como não existe tema tabu pra literatura, pro teatro, pro cinema, também não deve existir tema tabu para o humor. Não sou favor do humor baixo, deste que se utiliza de elementos indignos só para fazer rir, tipo falar de aleijados, viados, indios, negros, corintianos, com o unico intuito de criar uma piada, nao importa como. Citar mazelas históricas ou minorias só pra fazer uma piada inconsequente é gastar munição a toa. Sou a favor do comediante que tem algo a dizer e sabe faze-lo. O bom comediante, o humorista que tem algo a dizer sabe o poder do humor e utiliza-o como uma metralhadora contra a mediocridade. Mel Brooks fez parodia com a inquisição, uma instituição que matou, mutilou e torturou milhões de pessoas, Woody Allen parodiou as ditaduras sulameriacanas, fez inclusive piada com fuzilamento, Chaplin fez parodia com Hitler, um dos milhares de responsaveis pelo holocausto, Monty Python fez piada com deus, o diabo, hitler, mussolini, com a morte e o sentido da vida, a propria Regina Casé, quando participava do brilhante TV Pirata, deu vida a um texto que parodiava catástrofes naturais através de uma socialite que ficava soterrada em sua propria mansão, interpretou mulher espancada pelo marido, com olho roxo… ela nunca precisou explicar que aquilo era humor, que ela nao defendia a violencia contra a mulher ou se deliciava com flagelados.
Como como se vê, o que importa não é o tema tratado, mas o conteudo, o que se quer dizer com isto, a mensagem, resumindo: ter algo a dizer que fuja dos clichês e lugares comuns, saber usar o humor como crítica.
Se o cinema, a literatura, o teatro podem falar abertamente sobre temas delicados, porque não o humor?

E, de boa, o que a piada  sugere não é a morte da cantora joelma ou de seus fas, mas de um estado de coisas que joelma e outros artistas, políticos, celebridades representam: um Brasil semi-analfabeto, conformista, atrasado, intolerante, conivente… Infelizmente alguns segmentos sejam musicais, teatrais, literarios, representam este estado de coisas que eu, você e possivelmente ela abominamos.

O humor tem limite e o limite é ter o que dizer, o resto é piada.

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